terça-feira, 17 de novembro de 2009

Reflexão sobre refletores

Reflexão sobre refletores

por Dr. Robert G. Nulph © 2006 Videomaker, Inc.
Robert G. Nulph, Ph.D., é produtor/diretor de vídeo/filme independente e ensina produção de vídeo na universidade.

Sem dinheiro para aumentar a iluminação? Sem problemas! Veja estas soluções certeiras para fazer seu objeto brilhar sem precisar de energia.

O refletor é um dos acessórios de iluminação mais importantes que um produtor de vídeo usa. Essa útil ferramenta proporciona a capacidade de controlar a luz e o foco sempre que necessário. Neste artigo, analisaremos o refletor, como ele é utilizado e os diferentes tipos disponíveis.

Uma análise do refletor

Há basicamente dois tipos principais de refletores: refletor de luz dura, suave ou de tecido. O refletor de luz dura é uma superfície plana altamente polida prateada ou dourada que reflete a fonte de luz, seja ela o sol ou um instrumento de iluminação. Tradicionalmente, os tamanhos são fornecidos em formatos quadrados de 0,6 ou 1,2 metros e são freqüentemente chamados de “painéis”. Eles são usados extensivamente em todo trabalho comercial e de longa metragem e podem ser caros. Entretanto, os baratos podem ser feitos de Fome-Cor. Os refletores de luz dura trabalham muito bem no ambiente externo onde há vento, direcionando a luz forte exatamente onde você a quer. A maioria dos painéis possui um lado altamente refletivo e um lado pouco refletivo para variar as intensidades, que são muitas vezes mencionados como lados “duro” e “suave”, descrevendo a qualidade da luz que eles refletem, e não a qualidade do material com que são feitos.

O refletor de luz suave, ou de tecido dobrável, é dourado, prateado, branco ou possui uma combinação dessas cores. Sua superfície tem uma textura irregular que difunde a luz refletida, disseminando-a por uma área mais ampla e suavizando seus efeitos. Use o refletor de tecido como a luz principal ou de preenchimento para iluminar seus atores. Esse tipo de refletor proporciona uma luz similar à que uma fonte de luz difusa gera. O refletor de tecido é uma fonte de luz maravilhosa para iluminar o rosto de seus atores, devido à sua luz difusa suave.

Refletores externos

Se você está usando o sol como sua principal fonte de luz, os refletores são essenciais. Usando o sol como sua luz de fundo ou um refletor de tecido ou o lado de baixa reflexão de um painel como sua luz principal, você pode iluminar as pessoas de maneira muito eficiente, sem que elas fechem os olhos com a luz do sol. Posicione o sujeito de modo que o sol esteja acima do ombro direito aproximadamente na posição de 10:30. Este ângulo impedirá que o sol reflita nas lentes, prevenindo desse modo o reflexo nas lentes. Posicione o refletor na posição 4:30 na frente do sujeito num ângulo alto o suficiente para proporcionar um brilho nos seus olhos, mas que não os faça fechar. (Veja a Figura 1) Se você estiver procurando uma luz branca suave, use um refletor de tecido branco. Se estiver procurando um pouco de brilho, use prata. Se quiser aquecer o rosto e o corpo do sujeito, use um refletor difuso dourado. Para suavizar os efeitos de todos estes refletores, você pode optar por uma combinação de refletores que agora estão disponíveis em branco/dourado, branco/prata, prata/preto e prata/dourado.

Sempre lembre que uma superfície tem uma cor porque reflete essa cor específica para seus olhos. Portanto, um refletor dourado refletirá luz dourada e um refletor branco, luz branca. Com essa idéia em mente, você também pode fazer um ator ter uma aparência de frescor ou passar a sensação de calor usando um refletor de superfície azul ou refletindo luz vermelha, respectivamente. Saber a sensação ou o clima que você está tentando transmitir na cena determinará a cor de refletor a ser usada.

Caso pretenda aproveitar a luz do sol, mas o ator precise ficar na sombra por questões relacionadas ao segundo plano ou à cena, nada de se apavorar. Em vez de arrastar as luzes HMI e ter de montar os mais de cem metros de fiação, prepare um refletor de superfície de luz dura prateado ou dourado e rebata a luz para a cena. Via de regra, refletores de superfície de luz dura não são recomendáveis na iluminação principal ou de preenchimento.

Lembre-se de que, com um refletor de luz dura, você estará, na realidade, refletindo quase uma duplicação do sol, e olhar dentro do refletor é quase como estar olhando diretamente para o sol. Posicione o refletor de luz dura de maneira que ele reflita o sol em direção a um refletor suave que, em seguida, refletirá o sol em direção ao seu modelo. É um pouco parecido com brincar na água. A luz do sol se move em linha reta, assim, ela sairá do refletor no ângulo oposto exato da direção da luz incidente.

Se ela entrar em um ângulo de 45 graus, vai sair em um ângulo de 135 graus. Isso é muito eficaz se você precisa incidir luz embaixo de árvores densas em um parque ou em uma área sombreada em uma cidade. O único momento que você pode usar um refletor de luz dura diretamente na pessoa é se você estiver a uma grande distância da pessoa ou se o sol estiver oculto por nuvens esparsas.

Certamente existe uma preocupação quando se utiliza o sol: ele se move. Na verdade, se a sua filmagem demorar mais que alguns minutos, você deve deixar uma pessoa responsável por ajustar o refletor entre cada tomada. Leve essa questão em consideração quando montar seus refletores e planejar sua tomada. Os períodos do começo da manhã e fim da tarde oferecem a melhor iluminação quando se utiliza o sol, mas um refletor dourado de luz dura bem posicionado pode prolongar esses momentos se você ficar atento aos ângulos e alterá-los conforme a posição do sol muda.

Falamos com freqüência sobre o uso de refletores feitos em casa para aprimorar seus vídeos. Embora sejam razoavelmente eficazes, refletores caseiros não têm a mesma consistência de cores, as propriedades refletivas e a durabilidade dos refletores profissionais. Por exemplo, os pára-sóis de automóveis atuam de maneira muito semelhante à dos refletores de luz dura por terem uma superfície razoavelmente polida, mas não são firmes e polidos o suficiente para oferecer um reflexo verdadeiro como aquele fornecido pelo refletor de luz dura. Porém, eles são polidos demais para funcionarem como bons refletores de luz suave. A versatilidade, a durabilidade e a solidez dos refletores profissionais fazem com que eles sejam investimentos válidos para o produtor de vídeo sério.

Refletores internos

Algumas pessoas acham que refletores são eficazes apenas quando se fazem tomadas externas com iluminação por luz solar. Na verdade, você vai perceber que refletores também são muito úteis na realização de tomadas internas. Se você estiver filmando dentro de um escritório bastante ensolarado e a luz do sol estiver entrando pelas janelas, instale um refletor de luz dura e reflita a luz do sol para um refletor de luz suave ou equalize a iluminação do teto. É imediato, fica muito bonito, e harmoniza a luz com a janela ensolarada que está funcionando como contra-luz. É claro que você pode adicionar filtros de densidade neutra às janelas para que elas não fiquem brilhantes demais, mas esse assunto será tratado em uma outra coluna.

Você também pode usar refletores com luzes de vídeo. Você pode refletir a luz em direção ao seu ator e efetivamente iluminá-lo com apenas um instrumento de iluminação colocando um refletor de luz suave em posição oposta a uma contra-luz forte. Se colocar um difusor branco de luz suave, você adicionará luz de preenchimento à cena.

Às vezes, é difícil conseguir luz na posição certa por causa da restrição criada pelo lugar que o seu talento está. Lembre-se de que um refletor de luz dura pode refletir uma duplicação próxima da sua fonte de luz principal. Então, foque a luz da fonte principal na direção do refletor de luz dura e direcione-a para um refletor suave e de lá para o seu talento. É tudo uma questão de ângulo. Um refletor não necessita de energia, e você geralmente pode posicioná-lo em praticamente qualquer lugar.

Não se esqueça do maior refletor interno de todos, o teto. Ao incidir uma fonte de luz em um teto branco, você pode criar uma luz de preenchimento linda para o seu modelo. Apenas verifique se o teto é branco. Lembre-se de que qualquer que seja a cor da superfície do refletor, a luz refletida será da mesma cor.

Reflexões finais

Uma boa iluminação é criada usando de maneira criativa as técnicas de iluminação e ferramentas disponíveis. O refletor é uma das ferramentas mais úteis que estão à sua disposição. Use a sua imaginação e os refletores para ajudar a criar o ambiente e a sensação do seu projeto. Refletores usados de maneira eficiente fornecerão uma iluminação verossímil, bela e darão aos seus projetos aquele lustro profissional.

Segredos do áudio digital!

Segredos do áudio digital!

por Hal Robertson © 2006 Videomaker, Inc.
O editor Hal Robertson é produtor de mídia digital e consultor de tecnologia.

Quando se trata do áudio em nossos vídeos, a maioria de nós simplesmente conecta um microfone e pressiona o botão de gravação.

O áudio digital é muito mais que as linhas irregulares que aparecem na linha do tempo. Uma melhor compreensão do processo ajudará você a gravar e editar melhor o áudio a cada projeto. Está na hora de mergulhar e desvendar o segredo do áudio digital. Prometo que vou puxar o mínimo possível para o lado da matemática.

Com base nos números

Na medida em que o som é alimentado na câmera ou computador, ele é digitalizado, um processo que converte o som que ouvimos em seqüências de um e zero. Durante a reprodução, o computador remonta os dígitos e os converte em alguma coisa que podemos ouvir. Você acha que é mágica? Na verdade, é mais matemática que mágica. Para entender a matemática, precisamos saber algumas palavras-chave: taxa de amostragem e profundidade de bit. No vídeo digital, o áudio de entrada é coletado 48.000 vezes por segundo (48 kHz para ser mais conciso), como um instantâneo do som naquele exato momento. A amostragem de 48,000 vezes por segundo nos dá a certeza de uma descrição exata do nosso áudio. Para efeito de comparação, o áudio do CD é amostrado a 44,1 kHz. Há alguns cálculos matemáticos sofisticados, popularmente conhecidos como Teorema de Nyquist, que explicam a taxa de amostragem.

A versão simples é esta: para reproduzir um som com fidelidade, é necessário realizar a amostragem com o dobro da taxa de seu diapasão. Como, de forma geral, a audição humana se restringe à faixa de 20 a 20.000 Hz, a amostra deve ser feita a pelo menos 40.000 vezes por segundo. Uma taxa de amostragem de 48 kHz possibilita isso e ainda mais.

Vamos complicar um pouco a idéia, se é que tantas informações ainda não deixaram você bitolado – com o perdão do trocadilho. Cada amostra de áudio tem uma profundidade de 16 bits. Imagine uma seqüência de uns e zeros totalizando 16 dígitos. Com 16 bits, são possíveis 65.536 gradações para representar o volume de cada amostra. Assim sendo, para cada segundo de áudio, são feitos 48.000 amostras, cada um sobre 65.000 variações. Isso é mais que suficiente para reconstruir um áudio limpo e nítido para o vídeo. Embora o áudio do vídeo digital já supere a qualidade do áudio dos CDs, as gravações sonoras profissionais utilizam taxas de amostragem e profundidades de bit ainda maiores. Os novos discos HD-DVD e Blu-ray utilizam o codec Dolby Digital Plus, compatível com canais 7.1 e taxas de amostragem que chegam a 96 kHz, com 24 bits de profundidade. Para o áudio, o tempo não pára!

O áudio digital fica sobrecarregado ou distorcido com facilidade. Faça certo

Por melhor que seja o som do vídeo digital, há limites práticos. Por exemplo, o áudio digital é sobrecarregado ou distorcido com muita facilidade. Antigamente, na época da fita analógica, era possível passar um pouquinho do ‘zero’ do medidor e o áudio permanecia inalterado. No mundo digital, quando todos os 16 bits estiverem definidos como ‘1′, não há mais o que fazer. Qualquer volume que ultrapassa aquele ponto é drasticamente distorcido. E a distorção digital não é aquele chiado suave ou som nebuloso que você ouve em um equipamento analógico. É um som áspero, detestável que você definitivamente não quer ter na sua trilha sonora. Algumas filmadoras são equipadas com AGC (Controle automático de ganho). Como implicação temos um áudio que muda o volume automaticamente, atenuando sons mais altos ou aumentando sons mais suaves, trazendo até mesmo o som do ar condicionado e outros sons para o mesmo nível. Se a sua filmadora tem níveis de áudio manuais, aprenda a ler e monitorar os medidores de áudio enquanto grava.

Com ajustes manuais de áudio, você obtém o sinal ideal de entrada na câmera, mas também abre a porta para possíveis distorções. Se estiver utilizando um mixer, verifique se os níveis do microfone estão altos, mas não muito. Ao conectar o mixer à câmera, teste o nível de áudio pedindo a um ator para rir alto ou falar com sua voz mais potente. Use esse ajuste como o nível máximo e não o altere. Você obterá um áudio limpo, homogêneo e fácil de editar na pós-produção.

A grande compactação

Áudio digital estéreo de 16 bits, 48 kHz representa em torno de 11 MB por minuto. É um tamanho de arquivo considerável, especialmente para músicas ou diálogos em projetos mais longos. Para economizar espaço em disco, você pode ficar tentado a usar formatos compactados como MP3, AAC ou WMA. Áudio compactado é ótimo para distribuir na internet ou ouvir no seu iPod, mas não se compara ao padrão do vídeo profissional.

Todos os formatos de áudio compactados usam um recurso chamado de codificação perceptiva. Para atingir uma redução substancial de tamanho, os codificadores perceptivos analisam o áudio e decidem quais partes dele podem ser descartadas, com base na idéia de que o ouvido humano não é capaz de ouvir freqüências muito altas nem muito baixas. Compare uma faixa de um CD original com uma versão compactada, e você ouvirá sons agudos reduzidos, sons graves débeis e uma estranheza geral no meio. Outro segredo do áudio compactado é a divisão da taxa de bits. Uma faixa estéreo precisa de cerca do dobro da taxa de bits de uma faixa mono.

Portanto, os seus MP3s de 128 kps são na verdade dois canais de 64 kbps. Enquanto isso pode parecer bom no metrô ou no seu carro, um projeto de vídeo executado em um home theater pode rapidamente revelar os artifícios de compactação do som. Se você tem de usar áudio compactado em seus projetos, use a mais alta taxa prática de bits.

Dito tudo isso, existem bons motivos para utilizar áudio compactado em seus trabalhos. Por exemplo, muitos vendedores de música isentas de royalties oferecem faixas para download. Se você tiver encontrado a faixa perfeita on-line e precisar dela para hoje, é só comprar. Saiba, porém, que estará trocando qualidade por praticidade. Outra aplicação ideal é em narrações. Com apenas alguns telefonemas e um ou dois e-mails, você contrata um anunciante profissional para gravar a narração do seu próximo trabalho. Você pode enviar o script juntamente com as observações que quiser fazer por e-mail; ele grava o script, converte o arquivo em MP3 e devolve por e-mail para você. Se for gravada com música, uma faixa de voz mono codificada a 128 kbps ou mais é quase impossível de distinguir da versão não compactada.

Existem bons motivos para você utilizar áudio compactado em seus projetos. O importante é que você tenha consciência de que está trocando qualidade por conveniência.

Mistério solucionado

O que você viu foi bastante técnico, mas agora você sabe como aproveitar ao máximo o seu áudio. Resumindo, captura limpa, som alto nas configurações de melhor qualidade. Use áudio compactado somente quando necessário e os seus projetos de vídeo vão ter o melhor som em qualquer sistema de reprodução.

Som ninja

Som ninja

por Hal Robertson © 2004 Videomaker, Inc.
Este artigo foi publicado originalmente na edição de agosto de 2004 da revista Videomaker Magazine.

O ninja trajando preto ingressa furtivamente no edifício e está prestes a resgatar a filha do imperador quando um bando de assassinos profissionais aparece em seu caminho. Ele derrota habilmente um por um com uma variedade de armas e até mesmo com suas mãos vazias. Ele completa a missão e some misteriosamente noite adentro. É preciso um pouco de esforço, mas podemos aprender uma lição com o ninja. Ele é o mestre de muitas armas e habilidades e sabe por instinto qual delas o atenderá melhor em cada situação. O mesmo é verdade para as suas opções de microfone. Quando compreender todas as forças e fraquezas deles e como usá-las, você saberá imediatamente qual opção é a melhor para cada situação de áudio.

Combate corpo-a-corpo

Pergunte a qualquer instrutor de artes marciais e ele provavelmente dirá que lutas mão a mão são as mais indesejáveis. Ao filmar, a última coisa que você vai utilizar é o microfone embutido da filmadora. É claro que tem a vantagem de estar sempre à mão e não exige preparação ou cabos, mas o som não é profissional e muito menos inspirador. É fácil entender por que: a câmera tem diversos mecanismos internos que produzem constantemente chiados e rangidos. Distância é um outro problema. A grandiosa tia Marta está narrando a infância dela durante a Segunda Guerra Mundial e sua câmera está a quatro metros de distância dela. Você fez uma bela composição de cena e a iluminação está ótima, mas praticamente não se consegue ouvir o que ela diz. É quando o tio Ernesto, sentado próximo à câmera, começa a discutir com vovó Esmeralda a memória seletiva da esposa dele. A conversa deles se sobrepõe e sua entrevista acaba sendo arruinada. Moral da história? Comece pelos microfones externos.

Nunchakus

Considere o microfone manual (bastão) como o nunchaku do mundo do áudio. Esses microfones simples são excelentes para fazer rápidos arranjos de áudio e entrevistas de pessoas na rua. Eles são usados na transmissão de notícias locais e nacionais todos os dias. Os microfones manuais têm dois tipos de captura muito diferentes. Selecionar o tipo certo auxilia muito na criação de um vídeo com som profissional. O padrão mais antigo e mais comum de captura é o omnidirecional. Dá para adivinhar que esse tipo de microfone capta de maneira homogênea o som de todas as direções. Alguns exemplos clássicos de microfones omnidirecionais são o ElectroVoice 635 e o RE50. Fabricados até hoje, a presença que esses cavalos de batalha têm “no ar” é um testemunho da sua durabilidade e funcionamento. Eles têm uma desvantagem: como capturam o som de todas as direções, eles não são capazes de isolar a pessoa que está falando de outros sons altos. Uma repórter que esteja gravando em uma obra de construção pode ser encoberta pelo som das máquinas localizadas atrás dela.

O microfone unidirecional ou cardióide é uma alternativa melhor. Esse tipo de equipamento capta principalmente o som que está à frente e é fácil de apontar para o local onde é produzido o som que você quer gravar. A natureza direcional ajuda a minimizar os efeitos de outros sons e direciona a gravação para o seu objeto. Não é mágica: mesmo assim você vai ter que gritar “Silêncio no aparelho!” Independentemente do padrão de captura que você selecionar, leve o microfone para perto da pessoa que está falando. A redução da distância de captura para menos de 30 cm melhora muito a relação entre sons desejáveis e indesejáveis.

Estrelas ninja

Com a precisão de uma faca, a estrela ninja localiza seu alvo e fica grudada nele. O mesmo é verdade para microfone de gravata ou de lapela. Você coloca esses pequenos microfones diretamente no corpo da pessoa, às vezes aparecendo, dependendo do gênero do seu programa. Sua distância da boca é constante, o que faz deles uma opção excelente para entrevistas sentadas. Os microfones de lapela são pequenos e não atrapalham a sua filmagem também. Este é o padrão profissional para noticiários e entrevistas. Além da variedade de tamanho e cores, os microfones de lapela também podem ser configurados na versão omni ou unidirecional, embora a versão omnidirecional seja a mais comum. As redes de proteção de microfone podem ser usadas em áreas externas e é possível até esconder o microfone de lapela embaixo de uma camisa ou suéter. Somente não coloque o microfone muito embaixo das roupas, pois isto vai abafar o som. Olhe atentamente as entrevistas de vídeos profissionais e você pode achar um minimicrofone escondido debaixo de um colarinho ou atrás de uma linha de botões.

Equipe técnica

A força da equipe reside na habilidade para favorecer a capacidade de extrair o máximo da pessoa que está do outro lado à distância. Os microfones direcionais funcionam de maneira muito parecida. Não importa se está afixado a um suporte ou a uma girafa, o microfone direcional se prolonga com um padrão de captação altamente direcional. Essa característica exige que o operador aponte o microfone com precisão, mas o benefício é a obtenção de um alto grau de isolamento dos sons indesejados. Esse é o tipo de microfone preferido pelos programas de televisão e filmes, pois o mixador de som pode utilizar apenas um ou dois microfones para captar o som de um grupo de pessoas. Os microfones direcionais são muito sensíveis e propensos a captar mais o som do vento do que deveriam. Se estiver fazendo uma filmagem externa, use no mínimo uma proteção de espuma. Para fazer uma redução mais intensa do vento, você precisa de um dispositivo especial chamado zepelim, que é um tipo de invólucro, normalmente recoberto por pêlos, para microfones direcionais. Os pêlos dispersam o vento e o invólucro separa mecanicamente o microfone do vento.

O todo é maior que a soma das partes

Se você estiver escolhendo o seu primeiro microfone externo, considere o tipo de vídeo que você mais faz e compre um que corresponda ao seu estilo de filmagem. À medida que você for ganhando experiência, acrescente outros tipos à sua coleção para ter mais alternativas.

Independentemente do microfone externo que escolher, você sempre terá uma captura de áudio de melhor qualidade em comparação àquela obtida por meio de um microfone embutido. A despesa e o tempo de preparação adicionais valem muito a pena e atribuem às suas produções uma vantagem profissional.

Da próxima vez que for enfrentar o dragão da trilha sonora, prepare-se para a batalha com as armas certas e o conhecimento dos poderes de cada uma. E já pode esperar o beijo de gratidão da princesa.

Microfones no mundo real

Às vezes a maneira correta de instalar microfones não é a melhor maneira. Veja o teatro, por exemplo. Em um mundo perfeito, todas as pessoas usariam um microfone de lapela sem fio colocado de maneira invisível. A realidade dita regras que não são práticas e, freqüentemente, impossíveis. Uma alternativa eficaz é pendurar vários microfones manuais nas varas sobre o palco. Assim, são criados ‘bolsões’ de captura que dão conta da maior parte da ação com até apenas três microfones.

Utilizar diversos microfones direcionais na parte frontal do palco é uma outra opção. Coloque os microfones em suportes curtos e direcione-os para os pontos de captura mais distantes. Esse procedimento impulsiona a natureza direcional dos microfones. Se o orçamento de seu equipamento for restrito, uma pessoa pode ficar sentada na primeira fileira e apontar um único microfone direcional para a ação, de forma bastante semelhante à da utilização de uma girafa em uma tomada convencional. Se você tem a possibilidade de usar microfones de lapela, mas não quer ver nenhuma parte do equipamento exposta, considere a possibilidade de entremear um microfone de lapela em miniatura nos cabelos, fazendo com que a sua extremidade fique bem próxima à linha dos cabelos na testa ou na têmpora da pessoa. Essa disposição oferece um som surpreendentemente natural e apresenta um impacto visual mínimo.

O compositor Hal Robertson vem produzindo trilhas sonoras estéreo há mais de 24 anos. Ele é dono de uma empresa de consultoria especializada em produção de mídia.

Falando sério

Falando sério

por Joe McCleskey © 2004 Videomaker, Inc.
Esse artigo foi originalmente publicado na edição de março de 2004 da revista Videomaker Magazine.
Uma das habilidades básicas do mundo dos vídeos é a habilidade de fazer uma gravação clara e boa da palavra falada. Você pode ter um dos melhores usos de câmera, efeitos especiais, títulos e gráficos em seus vídeos, mas se os seus telespectadores não puderem entender o que está sendo dito, então todo o trabalho duro que você teve no visual vai ser em vão.

Nesta coluna, fornecemos a você doze dicas importantes para fazer gravações de qualidade profissional de um dos instrumentos mais delicados: a voz humana. Supomos que você não tenha nenhum conhecimento anterior sobre o assunto e não esperamos que você tenha acesso a um estúdio de gravação ou a equipamentos sofisticados. Entretanto, esperamos que você pratique essas dicas de gravação no seu próximo projeto de vídeo e preste atenção especial no áudio toda vez que fizer um vídeo, mesmo que seja só um vídeo das férias da sua família.

1. Faça um roteiro

Existem várias categorias diferentes de gravações de vídeo e quase todas elas são beneficiadas com o uso de algum tipo de roteiro. Isso não quer dizer que você precisa escrever todas as falas do seu vídeo antecipadamente, mas você deve ter no mínimo algum tipo de planejamento sobre o que cada pessoa vai dizer. Um simples conjunto de anotações é suficiente, mas um esboço é ainda melhor. Enquanto você grava, esteja pronto para fazer alterações em seu roteiro para se adequar às necessidades da situação. Não é possível prever o que o entrevistado vai dizer em entrevistas, mas você pode planejar bem as perguntas que deseja fazer.

2. Filme tendo a narração ou dublagem em mente

Caso pretenda utilizar narração no vídeo, é aconselhável tê-la em mente durante a filmagem para facilitar a edição. Por exemplo, digamos que você esteja gravando um comercial. Se você já souber a fala do narrador de antemão, pode ir repassando-a mentalmente enquanto roda. Talvez seja até uma boa idéia falar o texto do narrador durante a gravação, para orientar o ator que está na frente das câmeras. E se a sua voz aparecer na gravação, não se preocupe. Posteriormente, na hora de editar, você vai substituí-la pela narração de verdade.

3. Equipare a narração ao visual

A dica anterior era sobre combinação do visual com a narração planejada, mas o método oposto também funciona bem. Durante a edição de sua criação visual, mas antes de adicionar a narrativa, procure identificar oportunidades de corresponder as falas com a ação que você vê na tela. Se você tem algum vídeo de um candidato político cumprimentando seus eleitores, você poderá usar uma narração de voz dizendo, “Na tentativa de se aproximar de seus eleitores, o prefeito hoje revelou…”

4. Use um bom microfone

Como a fala será a parte mais importante do áudio, é preciso garantir o melhor microfone possível. Bons microfones são caros, mas um cinegrafista que sabe se virar pede, toma emprestado ou aluga o equipamento, se for necessário. Se você for estudante, procure o laboratório audiovisual ou sala de materiais educacionais da instituição. Se conhecer algum músico, pergunte se ele tem um microfone para emprestar por um ou dois dias. Você pode propor uma gravação da apresentação dele em troca.

5. Mantenha a boca do sujeito próxima ao microfone.

Um dos problemas mais comuns encontrados em gravações de vozes amadoras é a incapacidade do artista em manter a boca próxima ao microfone. Próxima significa bem em frente, se possível com os lábios a uma distância entre dois e cinco centímetros da cabeça do microfone. Para auxiliar nesse processo, use um suporte para o microfone e monitore constantemente a qualidade do áudio por meio de um par de fones de ouvido. Treine seu artista para manter a cabeça voltada diretamente para o microfone. Para fazer gravações ao vivo do artista em cena, use um microfone de lapela com ou sem fio. Não tenha receio de refazer várias tomadas se elas forem necessárias para que você obtenha uma gravação límpida e de qualidade. Existem alguns truques para obter o melhor resultado caso você não tenha um microfone externo ou a sua filmadora não tenha um conector para microfone. Coloque a câmera o mais próxima do artista possível, ajuste-a em seu ângulo mais aberto e faça tomadas de ombros e cabeça ou até um pouco mais próximas, se achar que deve.

6. Use um filtro pop

Pode acontecer de alguns sons explosivos causados pela saída de ar quando o narrador fala as letras P ou T diretamente no microfone ou sons de sopros da letra S ficarem audíveis. Para remediar essa situação com sons explosivos e sibilantes, você pode utilizar um filtro pop, uma peça redonda feita de tecido fino que fica suspensa entre o microfone e a boca do narrador. Os filtros pop profissionais não são absurdamente caros, mas, se precisar improvisar um, você pode dobrar o arame de um cabide para deixá-lo em um formato arredondado e esticar sobre ele uma meia de seda feminina.

7. Use sua câmera como um gravador de áudio

As filmadoras digitais da atualidade são excelentes gravadores de áudio. A sua fidelidade é tecnicamente melhor que a de CDs de áudio e você pode facilmente capturar o áudio gravado em um computador de edição não linear por meio da tecnologia FireWire. É proveitoso criar uma ficha para essas gravações de áudio apontando, para isso, a câmera para uma folha de papel contendo algumas palavras descritivas ao gravar. Registrar o time-code da narração gravada da mesma forma como isso seria feito em qualquer outro tipo de tomada também é uma boa idéia. Esse procedimento ajudará você a localizar narrações/dublagens quando estiver na cabine de edição.

8. Cronometragem é tudo

Muitos vídeos exigem uma cronometragem muito específica para textos falados. O comercial de trinta ou sessenta segundos é o exemplo mais óbvio. Quando você precisa que as palavras correspondam a um período específico, planeje três palavras por segundo e fique pronto para treinar o seu talento a falar um pouco mais devagar e com mais clareza que o normal. Lembre-se de que em nosso discurso comum diário temos várias maneiras de nos comunicar que podem ou não sair bem em um vídeo, e nossos ouvintes provavelmente estão acostumados aos nossos padrões de discurso. Em vídeo, temos de ser o mais claros possível em todas as ocasiões, e falar com um ritmo regular de três palavras por segundo pode ajudar o espectador a entender o narrador.

9. Seja enfático

Nós quase nunca percebemos porque crescemos com a televisão nas nossas vidas, mas freqüentemente as vozes que você ouve em vídeos são mais expressivas e mais dramaticamente carregadas que aquelas que usamos no dia-a-dia. Os atores e âncoras de notícias são treinados para exagerar um pouco na fala, e o que soa como brega superenfático é, na realidade, apenas o correto para a maioria das aplicações de vídeo. Quando treinar um artista amador, não diga a ele para usar o tom normal de voz. Considere a possibilidade de dizer a ele para levar a voz quase até o ponto em que esteja fazendo piadas com o script, como se estivesse trabalhando com um desenho animado. Você pode ficar surpreso com os resultados.

10. Afine o instrumento

Prepare sua voz para fazer a gravação bebendo alguns goles de uma xícara de água quente com uma casquinha de limão e uma colher de chá de mel. É melhor evitar consumir outros tipos de bebidas, especialmente as carbonatadas, café e chá. Se precisar beber algo além de água, tome limonada, bebidas esportivas ou outro tipo de bebida adocicada mas não carbonatada. O açúcar e o ácido cítrico podem ajudar a acalmar cócegas em sua garganta.

11. Contagem regressiva

Quando for gravar várias tomadas de narração, talvez uma contagem regressiva para cada tomada seja útil. Por exemplo, você poderia dizer: “Vídeo de treinamento, seção 7, tomada 1, em 5, 4, 3…” Deixe sempre uns dois segundos a mais antes de começar a falar para ter espaço para editar. Lembre-se também de deixar alguns segundos a mais no final, pelo mesmo motivo.

12. Sempre use fones de ouvido ao gravar o áudio

Se a gravação apresentar algum problema, como perda de sinal, interferência, zumbido, ou o ator se afastar muito do microfone, é bom que você já saiba logo, e não só no momento da edição. A única maneira de saber isso de antemão é sempre usar fone de ouvido na gravação do áudio. O ator pode querer ou não usar fone de ouvido, e provavelmente não será necessário, mas o técnico encarregado da gravação do áudio deve fazer questão de ouvir o som que vai para a fita. É por isso que sempre insistimos em incluir a entrada para fone de ouvido além da entrada para microfone no equipamento padrão para a filmadora.

Na hora de comprar o microfone

Obviamente, você vai querer usar o melhor microfone que você pode conseguir para gravar. Uma longa resposta do que é o melhor é um artigo completamente diferente. A resposta curta é: consiga um microfone portátil ou de prender. Em termos de preço, os portáteis são a melhor opção. Quando considerar o que você pode gastar, lembre-se de que o seu microfone vai ter uma vida útil de serviço longa. Os modelos do próximo ano e as novidades em tecnologia serão apenas um pouco melhores que os de hoje. Na verdade, a maioria dos profissionais tem um microfone favorito velho de guerra e consagrado que eles usam por anos em algum lugar da bolsa de apetrechos.

A escola está em aula

A escola está em aula

por Morgan Paar © 2004 Videomaker, Inc.
Este artigo foi publicado inicialmente na edição de março de 2004 da revista Videomaker Magazine
Como você pode esculpir um elefante em mármore? Fácil, consiga um bloco de mármore e corte fora tudo que não se pareça com um elefante. Como você edita três horas de gravação original em uma cópia final interessante de três minutos? Sem problemas, basta tirar todo o material ruim. Aqui está uma pequena lista de técnicas e “as coisas ruins” para procurar quando se sentar no compartimento de edição.

Os primeiros e os últimos cinco segundos

Na verdade, esta é mais uma técnica de filmagem do que uma dica de edição, mas como provavelmente você também está filmando, decidi incluí-la (e caso não esteja, seu cameraman deve se responsabilizar por esta etapa). Trechos iniciais e finais, que em alguns ambientes de edição são chamados de handles, são quantidades de fita gravadas antes e depois da ação. Normalmente gravo pelo menos cinco segundos nas duas extremidades. Isso é realmente útil, especialmente se você pretende usar um efeito de fade (aparecimento/desaparecimento gradual) ou fusão antes ou após seu clipe. Por exemplo, se o ator começar a falar assim que a gravação se iniciar, você não terá imagens suficientes para um efeito de aparecimento gradual (fade in) a partir do preto. Ao filmar, pressiono o botão Record (Gravar) na câmera e anuncio “Fita rodando”. Em seguida, observo o time-code no monitor LCD e aguardo cinco segundos antes de gritar “Ação!” Quando o ator termina de falar, espero mais cinco segundos antes de dizer “Corta”.

Organização

A organização é extremamente importante, muito mais importante do que você pode imaginar. Com os enormes discos rígidos de hoje e sua própria criatividade ambiciosa, você pode facilmente trabalhar com centenas de arquivos de mídia (vídeo, áudio e fotografias) mesmo em um projeto curto. À medida que examino minha filmagem original, organizo todos os meus clipes em compartimentos com palavras-chave (para pesquisa) e uso os códigos de cor e a opção de caixas de seleção “bom” que o Final Cut Pro colocou na janela do seu navegador. Todos os programas de edição avançada fornecem algum tipo de ferramenta para organização, e seria bom você dar uma olhada nelas. Quando quiser encontrar aquela ótima seqüência enterrada em 30 horas de filmagem bruta, você ficará feliz de ter dedicado um tempo para usá-las.

Monitores

Esta é uma solução cara para um problema sério, mas ela deve estar no topo de sua lista de equipamentos. Você precisa ver seu vídeo da maneira como ele será assistido, e a imagem exibida no monitor de seu computador não é a de uma televisão. Toda cabine de edição profissional possui monitores de vídeo por uma razão. Em nossa edição, usaremos um monitor de vídeo para examinar a cor, procurar problemas de entrelaçamento e verificar a mascaragem. A melhor solução é comprar um monitor de produção profissional, mas, se você não tem cerca de US$ 700, uma simples televisão colorida NTSC é certamente melhor do que nada.

Ritmo

Encontrar o ritmo pretendido foi a lição mais importante que aprendi nos três anos e US$ 60.000 que investi na faculdade de cinema. Estava eu editando meu primeiro curta no sistema Media 100, quando o diretor do programa percebeu como eu estava apanhando na criação. Ele puxou uma cadeira e, sem dizer uma palavra, bateu a barra de espaço, iniciando a reprodução na linha do tempo. Em seguida, começou a bater o pé, o dedo na mesa e na cabeça simultaneamente por oito tempos e bateu a barra de espaço de novo. Por fim, disse: “É aqui que você vai cortar.” Existem tantas definições e técnicas de ritmo quanto diretores. Observe o ritmo de outros trabalhos e encontre o ritmo que funciona para o seu estilo de criação e a obra que está fazendo.

O problema das fusões

Sei que o seu software tem mais de 600 fusões. Tenho ido a muitos festivais de filme estudantis e tenho visto todos eles. Eles ajudaram a avançar a história? Eles melhoraram o trabalho? 99% das vezes eles não contribuíram para isso. A maioria dos projetos usa principalmente cortes e ocasionalmente fusões e se desbotam para o preto. Comece a prestar atenção em quantas vezes o filme que você paga para ver ou passa na televisão tem fusões de estrelas ou transições de tabuleiros. Isso não acontece com freqüência. Sim, há muitas transições engraçadas em Star Wars e transições orgânicas no programa de TV do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Use esses efeitos apenas quando eles se adequarem ao ambiente, e não porque eles estão lá.

Existem tantas definições e técnicas de ritmo quanto diretores. Observe o ritmo de outros trabalhos e encontre o ritmo que funciona para o seu estilo de criação e a obra que está fazendo.

Áudio

Esta área pode facilmente ser a campeã dos erros cometidos por iniciantes na pós-produção (e também pela equipe de produção). Nunca se dedica tempo suficiente para ajustar, aperfeiçoar, elaborar e criar um bom —ou melhor— um excelente áudio. O áudio é imensamente menosprezado no processo de produção de filmes. Áudio abrange a produção sonora, os efeitos sonoros, as músicas, narração/dublagem, Foley (áudio pós-produzido durante a visualização da imagem em movimento, como sons produzidos pelas personagens ao beber, passos, etc.) e todos os outros sons existentes ou inexistentes no produto final. Já ouvi pessoas dizendo que um bom áudio melhora a qualidade visual, mas consigo pensar em vários exemplos de filmes e documentários nos quais o áudio salvou a cena ou até mesmo o filme todo. Planeje para a edição do áudio o mesmo tempo que você planejaria para a edição visual. Se não for um especialista em áudio, encontre alguém que seja, faça algumas aulas ou compre alguns livros sobre essa arte. A engenharia de áudio pode intimidar no começo, eu mesmo tive essa sensação durante tempo demais. Mas o quanto antes você começar a fazer experiências na área, menor será o prazo para que os seus vídeos mostrem seu profissionalismo.

Flash Frames

Nos Estados Unidos, um vídeo é composto de 30 fotogramas por segundo, reproduzidos consecutivamente para criar no espectador a ilusão de imagem em movimento. Os softwares atuais oferecem precisão de quadros, o que era muito difícil de obter quando eu editava em máquinas lineares em meados da década de 80. Isso significa que é possível cortar cada segundo de clipe em 30 lugares diferentes. Agora, suponhamos que você esteja filmando o rosto de uma pessoa que está sendo entrevistada e, após a entrevista, você desligue a câmera. A filmagem seguinte é um close-up em um trem passando em alta velocidade. Mais tarde, você se mata de editar o filme em sua sala e, quando assiste à primeira versão, percebe algo de errado no final da entrevista. Não dá para ver direito o que é, mas parece um apagão subliminar entre o final da entrevista e a cena seguinte. Uma explicação possível para a falha é que você tenha deixado um quadro a mais na linha do tempo, no começo da cena do trem. Outra possibilidade é que tenha sobrado um quadro vazio sem filmagem ou escuro no meio do corte.

Visualizando os quadros na linha do tempo, mais afastados, não dá para ver esse erro, mas se você ampliar até o corte, perceberá um quadro isolado contendo uma imagem não planejada. Sempre vejo isso acontecer na janela de edição dos trabalhos acadêmicos. E, o que é pior, vejo acontecer também em produtos acabados, nos festivais. Edição é uma ciência exata. Em uma tarde pode até sair um trabalho bacana, mas o mesmo vídeo poderia levar semanas para ficar perfeito.

Saiba quais serão seus espectadores e edite o seu vídeo de uma maneira que causará impacto neles e os deixará com a emoção que você está tentando comunicar.

Livre-se de seus xodós

Sei que isso soa um pouco dramático, mas esses eram os dizeres favoritos de um grupo de estudantes de cinema de uma escola de ensino médio em que lecionei na Carolina do Norte. E fez bem para eles. Quando você filma, dirige ou produz uma determinada cena, é possível que se apegue a ela por outras razões que não sejam o fato de ela ser uma boa cena. Então, na cabine de edição, as suas emoções confundem seu julgamento objetivo para pressionar o botão de exclusão. Pode haver, facilmente, dúzias desses “xodós” na sua obra-prima, transformando o que deveria ser um trabalho compacto e agradável de 5 minutos em um exaustivo teste de resistência de 40 minutos para a sua família e amigos. Se você não conseguir eliminar seus “xodós” de maneira objetiva, peça a algumas pessoas em cujo julgamento você confia para assistir e criticar.

Salve com freqüência

É como escovar os dentes antes de ir para a cama: todos sabem que devem fazer, mas poucos fazem. Então, um dia você não terá mais dentes. Acontece a mesma coisa com a edição. Adquiri o hábito de salvar manualmente a cada cinco minutos mais ou menos e salvar depois que concluo uma edição complicada. Como os arquivos de projeto são razoavelmente pequenos, também tendo a salvar periodicamente novas versões do meu projeto, de forma que sempre tenha para onde voltar caso mude de idéia depois. Dessa maneira, quando a rede elétrica cai, você não perde as suas duas últimas horas de trabalho e consegue cumprir o prazo final da tarde que se aproxima.

Conheça seu público-alvo

“Conheça seu público-alvo” é outro conceito aparentemente simples, mas que incontáveis editores não compreendem. Se estiver fazendo um curta-metragem sobre questões sensíveis na ala de um hospício, você provavelmente não vai querer editá-lo em um estilo hip-hop, MTV. Saiba quem serão seus espectadores e edite o curta de maneira a causar impacto neles e os deixar com a emoção que você está tentando comunicar.

Versão final

Aí está: dez dicas comuns sobre edição. Quando compreendê-las, você saberá que não deve haver nada na sua cena que não tenha sido planejado. Você também passará por momentos mais agradáveis na cabine de edição e o seu público deixará a exibição com um sorriso estampado no rosto, se esta for a emoção que você está tentando causar nele.

Manipulação do tempo

Manipulação do tempo

por Bill Davis © 2005 Videomaker, Inc.
Esse artigo foi publicado inicialmente na edição de setembro de 2005 da revista Videomaker Magazine.
Tempus Fugit. Se você não domina o latim, essa expressão quer dizer “o tempo voa.” E ele voa. Às vezes. Ou ele rasteja devagar como uma lesma.

Como produtores de vídeo, é nosso trabalho fazer o tempo voar. Ou rastejar. Ou saltar, pular ou saltitar. Dadas as ferramentas que todo software de edição moderno tem hoje, podemos praticamente fazer o que quisermos como o tempo. Sim, toda vez que nos sentamos para editar, somos os pilotos do tempo. Podemos apresentar o tempo sob diferentes perspectivas. Podemos pegar uma cena que originalmente ocorreu em “tempo real” e colocá-la em câmera lenta para facilitar que o nosso público-alvo examine em detalhes a cena que se passa. Ou podemos optar por acelerar o tempo, reduzindo segundos, minutos ou até mesmo horas longas em um vídeo curto com poucas imagens. Então, dada essa força, como decidimos se é ou não uma boa idéia brincar com o padrão “tempo real” da natureza? Pergunta difícil.

O tempo é seu aliado

Normalmente, fazer um minuto de filmagem leva um minuto para passar na tela. É um ritmo natural que reflete o que esperamos ver no mundo real. Mas voltando à sala de edição, o tempo é (literalmente) o que você fizer dele. De fato, a idéia bem básica da edição começa apenas como uma forma de diminuir o tempo. Quando nós cortamos de uma cena para a próxima, estamos removendo o tempo que nós tivemos de deslocamento de um local ou ângulo para outro e estamos reduzindo a cena para um visual mais reduzido. Esperamos que, após a remoção do material que não é pertinente para a história que estamos contando, o resultado seja uma cena que prenda a atenção do nosso público.

Portanto, a principal ferramenta de compactação de tempo na produção de vídeo é o corte. Na verdade, em praticamente todos os filmes, a única ferramenta de transição empregada é o corte. E como e onde fazer o corte são questões realmente importantes. Assista a materiais bem editados e reserve algum tempo para analisar os cortes. Você perceberá que existe uma “linguagem” dos cortes, principalmente em vídeos de histórias narrativas. Você pode acabar perdendo a audiência se fizer um corte que tenha efeito dissonante e a afaste de sua história.

Nos termos da produção de vídeo, esse fato algumas vezes é mencionado como “jump cut”, que significa duas tomadas semelhantes cortadas juntas com um salto em continuidade, posição de câmera ou tempo. É irritante porque ele confunde nossas expectativas de tempo.

Se um personagem levantar o braço em determinada cena e você cortar para outra tomada dessa cena em que ele está com o braço abaixado, dizemos que não há “continuidade”, um nome bonito para a manutenção de um fluxo visual, para que o público perceba uma progressão adequada entre as ações. Mas se o objetivo da edição é justamente reduzir o tempo, como podemos atingi-lo? Recorrendo a truques, é claro.

Como enganar o tempo

Uma técnica é cobrir nossos “jump cuts” (cortes sem transição) com cenas do “b-roll” (cenas brutas ou adicionais), que desviam a atenção do público da falta de continuidade. É por isso que uma boa “cobertura”, isto é, gravar cenas extras que possam ser utilizadas como cortes, é tão importante. Tomadas de corte mascaram saltos no tempo.

Mas, algumas vezes, mudar o tempo é realmente mudar o tempo. Fazer suas cenas ficarem mais rápidas ou mais lentas do que elas naturalmente ocorreram. E há algumas novas ferramentas excelentes incorporadas aos programas de edição que tornam esse processo muito mais conveniente do que jamais foi visto antes.

Há algumas gerações de software, o recurso legal era o “remapeamento de tempo”. Com ele, o usuário não especifica a porcentagem única de “mais rápido” ou “mais devagar” para um clipe inteiro, mas depende da capacidade de mudança da velocidade para aumentar ou diminuir a velocidade via quadros-chave. Com esse avanço, vimos um aumento súbito de comerciais de TV irem ao ar com cenas de movimento que começavam com uma velocidade e então devagar iam acelerando aos poucos e desaceleravam de uma vez num simples efeito.

É um visual legal. E hoje muitos programas de edição são fornecidos com esse efeito. (Verifique em seu manual o termo “remapeamento de tempo” ou um termo semelhante para ver se seu programa pode fazer isso.) Novamente, a vantagem é que você controla a velocidade com que suas cenas são apresentadas para o seu público-alvo.

Digamos que você esteja filmando um ‘tour pela escola’. Depois da seqüência “Aqui fica o refeitório”, você pretende pular para a seqüência “Com vocês, a sala da fanfarra!”. Em vez de gravar a seqüência do refeitório, desligar a câmera e ir para a sala da fanfarra gravar a próxima seqüência, você pode deixar a câmera ligada e ir filmando os sujeitos no próprio trajeto. Com auxílio do remapeamento de tempo, você pode acelerar a filmagem da “caminhada” para que o público acompanhe o percurso entre os ambientes em alta velocidade! Isso ajuda o público a perceber melhor a estrutura física da escola, sem cansá-lo com uma cena de caminhada muito extensa.

Como prolongar o tempo

Quase sempre pensamos em manipulação de tempo em termos de redução de tempo, como em nosso vídeo da escola quando saímos da lanchonete para a sala de música. Assistir a todas as imagens entre as duas locações em tempo real seria monótono e desperdiçaria tempo necessário para outras tomadas mais cativantes. Então simplesmente excluímos a caminhada ou, neste exemplo, aceleramos a cena para torná-la mais interessante. Mas e se desejarmos ampliar a duração de uma cena que na verdade ocorre em apenas alguns milissegundos? Aí que está o problema.

O filme Um homem fora de série , de 1984, estrelado por Robert Redford, está cheio de exemplos clássicos de expansão do tempo. Quanto tempo demora para um arremessador no beisebol fazer um arremesso para o rebatedor? A 129 km/h, cerca de 1/3 de um segundo. Como você pode expandir esta tomada para adicionar mais drama à cena? Manipulação de tempo. No filme, vemos Redford preparando-se para o arremesso final. Vemos então uma tomada ampla da posição do arremessador à medida que ele analisa a situação. Cortamos para uma tomada reversa do rebatedor, do receptor e do árbitro. Cortamos para um close-up do receptor fazendo um sinal secreto para Redford. Cortamos de volta para o close-up do rosto de Redford à medida que ele acena com a cabeça para o receptor. Cortamos para uma tomada ampla dos espectadores boquiabertos nas arquibancadas. Cortamos para um close-up de um pequeno garoto assistindo ao seu herói. Cortamos de volta para o arremessador à medida que ele sobe a perna para o arremesso final. Cortamos de volta para um close-up do rebatedor quando ele chuta a terra na base principal. Imaginou a cena? Essa seqüência inteira representa o que vem a ser um minuto ou mais antes de Redford realmente fazer aquele arremesso rápido como um raio. Nós editores somos mestres da manipulação do tempo!

A natureza do tempo

Já ouvi dizer que “um segundo com a mão sobre o fogo é diferente de um segundo beijando a pessoa amada”. O primeiro você não vê a hora de terminar, o segundo você desejaria que durasse para sempre. Isso ilustra bem nossa própria concepção de tempo, que é única e pessoal. As meninas do bordado se deliciam com aquele enxoval que a Ana Maria Braga ensinou a fazer na TV, mas para mim é completamente entediante.

A questão é que o tempo é muito relativo. Portanto, antes de começar a acelerar tudo no seu vídeo para ganhar tempo porque você pensa que está atrasado, lembre-se de que você provavelmente viu a imagem do seu vídeo uma centena de vezes durante a edição. Para o seu público, esta é provavelmente a primeira vez.

Como prolongar o tempo

Quase sempre pensamos em manipulação de tempo em termos de redução de tempo, como em nosso vídeo da escola quando saímos da lanchonete para a sala de música. Assistir a todas as imagens entre as duas locações em tempo real seria monótono e desperdiçaria tempo necessário para outras tomadas mais cativantes. Então simplesmente excluímos a caminhada ou, neste exemplo, aceleramos a cena para torná-la mais interessante. Mas e se desejarmos ampliar a duração de uma cena que na verdade ocorre em apenas alguns milissegundos? Aí que está o problema.

O filme Um homem fora de série , de 1984, estrelado por Robert Redford, está cheio de exemplos clássicos de expansão do tempo. Quanto tempo demora para um arremessador no beisebol fazer um arremesso para o rebatedor? A 129 km/h, cerca de 1/3 de um segundo. Como você pode expandir esta tomada para adicionar mais drama à cena? Manipulação de tempo. No filme, vemos Redford preparando-se para o arremesso final. Vemos então uma tomada ampla da posição do arremessador à medida que ele analisa a situação. Cortamos para uma tomada reversa do rebatedor, do receptor e do árbitro. Cortamos para um close-up do receptor fazendo um sinal secreto para Redford. Cortamos de volta para o close-up do rosto de Redford à medida que ele acena com a cabeça para o receptor. Cortamos para uma tomada ampla dos espectadores boquiabertos nas arquibancadas. Cortamos para um close-up de um pequeno garoto assistindo ao seu herói. Cortamos de volta para o arremessador à medida que ele sobe a perna para o arremesso final. Cortamos de volta para um close-up do rebatedor quando ele chuta a terra na base principal. Imaginou a cena? Essa seqüência inteira representa o que vem a ser um minuto ou mais antes de Redford realmente fazer aquele arremesso rápido como um raio. Nós editores somos mestres da manipulação do tempo!

Interpolação: Contagem de tempo

“Câmera lenta” é uma técnica poderosa usada para ajudar o público a “entender” a cena onde a ação ocorre muito rapidamente para o cérebro processar.

Um ótimo exemplo é o filme Matrix, o efeito “bullet time” que atrai a atenção do público para as habilidades sobrenaturais do personagem principal. Esse tipo de remapeamento de tempo visual foi revolucionário quando chegou aos cinemas alguns anos atrás. Hoje, a maioria dos sistemas de edição pode reduzir o tempo com alguns cliques. Entretanto, é importante saber que nem todos os efeitos de “câmera lenta” são criados da mesma maneira.

A maioria dos softwares de edição de filmes simplesmente muda a taxa na qual os quadros são exibidos para atingir os efeitos de movimento lento e rápido. Portanto, mudar a velocidade em incrementos iguais (quadros pela metade, duplicados, triplicados, etc.) é muito fácil para qualquer software de edição. Mas e se você precisar de outro tipo de recurso além desta manipulação de tempo matematicamente simples? E se você quiser tornar a cena mais lenta em 40%? Evidentemente, a matemática necessária para dividir esses quadros é muito mais complexa.

Foi aí que os especialistas em computador tiveram que se mexer e criar modelos matemáticos para fazer alguma coisa complexa chamada “interpolação.” A interpolação é o processo de analisar os dados de movimento nos quadros de vídeo na sua fita, e não somente a exibição deles em diferentes taxas de quadros, mas na verdade “falsificando” dados que não existiam na fita original de maneira que o movimento lento ou rápido na tela seja suave e realista.

Bons algoritmos de interpolação são o segredo para obter resultados realmente bons ao remapear o tempo para obter efeitos de câmera rápida ou lenta. Por isso, se quiser conseguir bons resultados, verifique se o software que está utilizando tem a função de interpolação.

Hora de praticar

Como todos os outros efeitos de vídeo e de edição, o remapeamento de tempo é melhor aproveitado quando transcende o nível do “olha só que legal”. No filme Matrix, por exemplo, ele é revelador. As seqüências do “bullet time” ajudam a visualizar elementos que, em tempo real, não passariam de manchas. E no exemplo do “tour pela escola”, o remapeamento de tempo coloca o vídeo em um ritmo que não tira o interesse do espectador e, ao mesmo tempo, permite que veja como é o espaço físico da escola, um objetivo essencial do vídeo.

Por isso, desenterre seus manuais e saiba como seu software pode transformar um “editor de vídeo” em um verdadeiro “piloto do tempo” em apenas alguns cliques. Você se surpreenderá com os lugares maravilhosos que poderá mostrar ao público quando tiver aprendido a voar! Tempo esgotado, fico por aqui.

Bill Davis escreve, filma, edita e faz narrações para diversos clientes corporativos e industriais.

Música, música, música

Música, música, música

por Jim Stinson © 2004 Videomaker, Inc.

A partir do momento que deixarem de ter como tema os feriados e férias, seus vídeos vão precisar de músicas comercializadas. Programas feitos para clientes, filmagens de casamentos, vídeos comerciais, programas para competições e concursos ou outros tipos de exibição pública, todos devem ter músicas legalizadas ou não devem ter música nenhuma. Acredite em nós: a indústria fonográfica protege seus direitos com rigor e eficiência.

Há quatro caminhos diferentes para legitimar as trilhas sonoras:

• Obter direitos para obras individuais.

• Comprar obras ou pacotes isentos de royalties.

• Moldar as expressões musicais exatamente de acordo com as suas necessidades.

• Criar sons a partir de loops de áudio.

É claro que há um quinto caminho: compor e executar uma composição original, mas não abordaremos esse tópico complexo aqui. Já discutimos essas opções em outras ocasiões. Portanto, vamos colocá-las lado a lado para comparar os prós e os contras. Descobriremos que cada tipo de trilha musical é recomendada para uma situação específica, obviamente.

Locações de trilhas sonoras

A princípio, você pode alugar os direitos para incontáveis milhares de canções, desde hip-hop até cantos gregorianos. Para isso, visite os sites da ASCAP, BMI ou SESAC e siga as instruções. Ao final você terá o direito de utilizar a obra alugada em um programa específico que tenha uma finalidade específica.

Esse caminho é bem vantajoso. Com tantas músicas para escolher, você acaba encontrando um tipo que casa direitinho com o programa. Você vai poder incrementar seu vídeo com composições da melhor qualidade, executadas pelos artistas mais competentes e mixadas pelos melhores produtores. Por fim, aumentará a identificação com o público, que reconhecerá as faixas famosas da trilha sonora.

Agora as desvantagens. Primeira, os direitos de algumas obras não podem ser obtidos, ao menos por pequenos empreendedores, e os custos de outras podem ser proibitivos. Você quer a Marcha Nupcial de Lohengrin gravada em 1953 pela Orquestra da Rádio da Baixa Eslobóvia? Sem problemas! Graceland de Paul Simon? É outra história.

Em segundo lugar, as possibilidades que os trechos oferecem são mínimas. A não ser empregar efeito de fade in e fade out e fazer alterações cortando ou duplicando elementos musicais, não há muito o que fazer com eles.

Todavia, há vezes em que apenas uma música é suficiente. Minha sobrinha acabou de casar-se com uma música de Wynton Marsalis chamada “Trumpet Voluntary” e cantada por Jeremiah Clarke. Quando eu editar o vídeo do casamento, você pode acreditar que irei atrás dos direitos daquela música.

Músicas isentas de royalties

A música isenta de royalties composta especificamente para vídeos é freqüentemente muito mais prática. Para consegui-la, você compra um pacote de trilhas que pode variar de um único CD a uma enorme biblioteca de músicas e paga uma taxa única que dá você direitos a uso ilimitado de todas as trilhas, dentro do escopo definido pela sua licença. Para usar uma única vez, muitas vezes você pode pagar e baixar trilhas individuais.

A música isenta de royalties tem muitas vantagens. Em primeiro lugar, ela é adaptada para gêneros específicos de programas, como comerciais, casamentos, vídeos corporativos e de treinamento. Cada trilha recebe um nome para explicar o seu uso, que pode resultar em nomes engraçados como “Blábláblá corporativo” e “Futuro digital brilhante.”

A maioria dos discos traz composições de durações variadas, desde “palhinhas” e finalizações de cinco segundos até peças de três ou quatro minutos para a música de fundo. As bibliotecas mais completas trazem os trechos em várias orquestrações (por exemplo, “com solo de piano” ou “para orquestra pequena”). Algumas ainda oferecem estilos mais alternativos, como new age, bluegrass e soft rock.

Ao adquirir um pacote grande, você freqüentemente recebe um banco de dados de todas as versões, que podem ser pesquisadas por palavras-chave de todo tipo. Mas esses pacotes geralmente são voltados para estúdios de produção ou produtoras que precisam de dezenas ou centenas de faixas para uma vasta série de programas.

Talvez os recursos mais atrativos da música isenta de royalties sejam o custo e facilidade de uso. Embora os preços variem entre as lojas, as músicas individuais geralmente não custam caro para alugar. Se você produz regularmente um certo tipo de casamento, por exemplo, ou então vídeos de treinamento, um pacote de trilhas sonoras isentas de royalties é muitas vezes uma pechincha. Quando você necessita de uma parte, simplesmente escolha o efeito emocional, o tamanho, a orquestração ou talvez o gênero musical e armazene.

Como aspecto negativo, as composições ainda não possuem exatamente a mesma duração do seu projeto, obrigando a realização de acertos de edição e improvisações. Finalmente, a maioria (ainda que nem todas) das músicas de biblioteca soam como o que realmente são: enlatadas e impregnadas com um odor leve de elevadores. Elas são ótimas para atribuir ênfase e para outras funções mais recatadas de suporte ao programa, mas você não vai querer deixá-las chamar atenção para si próprias.

Rode você mesmo

A SmartSound comercializa diversos produtos que possibilitam a criação de composições com sincronia perfeita usando uma grande variedade de arranjos musicais. Em sua forma mais simples, o procedimento envolve a seleção de uma faixa, a escolha de um estilo em uma lista e a inserção da duração necessária. Uma vez que esse procedimento esteja pronto, um clique do mouse gerará uma versão personalizada para o seu programa.

É uma composição real, não é simplesmente música de fundo. Isso ocorre porque cada composição é fornecida com um início, meio e fim. O segredo está na seção do meio, que pode ser cortada em qualquer lugar em intervalos de um segundo e perfeitamente integrada à locomotiva e ao último vagão. As partes são tão habilmente compostas que elas parecem perfeitas, independentemente do comprimento. A música tem uma qualidade à altura das músicas isentas de royalties e algumas faixas SmartSound são, na realidade, derivadas da biblioteca comercial da Music Bakery.

É verdade que não é muito comum uma cena terminar em segundos exatos (com um time-code como 00:03:21:00, por exemplo). Porém, se desejar que o tempo da música coincida com os quadros, é só utilizar a edição de filme para fazer um ajuste discreto de quadros, até que a música e a última cena terminem juntas.

Os programas da SmartSound estão disponíveis em três versões. O Movie Maestro (US$ 50) contém as funções básicas e pode ser utilizado isento de royalties em aplicações educacionais e não comerciais. Você pode incrementar as composições fornecidas comprando CDs da SmartSound e selecionando os estilos adequados para os programas que produz.

O Quicktracks, um opcional do pacote Adobe Premiere Pro, está repleto de recursos úteis e fornece todos os direitos comerciais. O líder SonicFire Pro (US$ 300- US$ 500) também já traz todos os direitos comerciais e diversos recursos adicionais. Com ele, você ouve demonstrações e baixa originais, trabalha com qualquer arquivo de som, inclusive MIDI e faixas de áudio de CD, e controla a composição e edição de forma precisa e sofisticada. Os resultados são tão bons que muitos estúdios pequenos de produção dispensam os outros softwares.

Repetição do loop

Se você quer personalizar as suas músicas 100%, as composições com base em loop podem ser para você. A idéia básica é simples: componha você mesmo a música original manipulando os segmentos repetitivos da música (chamados de “loops ” porque no passado a prática era colar as pontas de longas fitas gravadas para formar um círculo que poderia ser repetido indefinidamente). O ACID da Sony (comprado da Sonic Foundry) é o pacote de software mais antigo e popular para esse tipo de composição com base em loop, mas existem vários outros produtos também, como Fruity Loops, Adobe Audition ou Bitheadz.

Trabalhando de forma horizontal (na linha do tempo), você escolhe uma faixa inicial, que em geral é uma parte rítmica, e monta uma ou mais seqüências de repetição do loop. Em seguida, você acrescenta mais uma camada na próxima faixa da linha do tempo, uma linha de baixo, por exemplo. O processo segue incorporando mais camadas e instrumentos, até obter o efeito desejado.

O processo parece rudimentar, até lembrarmos que os softwares de loop acessam, literalmente, dezenas de milhares de loops diferentes, executados por músicos profissionais em instrumentos de verdade, ao contrário dos equivalentes sintetizados. Usando de criatividade para selecionar, combinar e dar um acabamento aos componentes, suas músicas vão parecer sofisticadas e totalmente originais.

A boa e a má notícia sobre composição de loop é a mesma: envolve a criação de melodias e arranjos reais. Se tiver talento musical e pelo menos alguma experiência, você pode atingir resultados notáveis e gratificantes. Por outro lado, se compõe apenas casualmente, você nunca vai conseguir resultados satisfatórios.

Talentoso ou não, você gastará um bom tempo em cada parte. Imagine-se produzindo uma montagem de vídeo multicamadas de 30 segundos, manipulando tempo e cor, acrescentando efeitos e compondo títulos em movimento 3D. A criação de uma composição sofisticada com base em loop também pode consumir muito do seu tempo.

Em última análise

Como declaramos, cada tipo de música tem seu lugar. Se uma obra musical específica é importante, pode ser rentável alugar os direitos autorais para usá-la. Caso você seja especializado em um determinado gênero de vídeos, uma boa biblioteca de músicas isentas de royalties pode ser a maneira mais rápida de conseguir um som profissional. Agora, se você produz programas de estilos variados, trilhas personalizáveis da SmartSound oferecem grande versatilidade e velocidade. E, se você tiver o tempo e o talento necessário, não há nada mais satisfatório para seus impulsos criativos que usar loops para montar sua música.

Na verdade, uma coisa é mais satisfatória. Mas se você fosse capaz de compor, arranjar, executar e gravar sua própria música original, não precisaria dessas outras soluções.